19 agosto, 2008

HERANÇA










Pergunto a quem queira declarar: O que queremos deixar plaintado aos nossos filhos?

Os pais nascem juntos com os filhos.



Parafraseando uma fala do filme "A glória de meu pai" de Yves Robert (1990) que eu AINDA não vi, mas já ouvi muitos comentários e por isso recomendo. Somos o pai que ama, pai que esquece, pai que ri e chora, pai que dá presente, o não presente, pai verde, laranja, que só quer dar carinho, pai de aço cheio de ação, pai que vira criança, pai solução e problemão. Uma grande plaintação nosso Paizinhos, nossa colcha de retalhos Pairaná. Somos estes pais, passeamos por países e buscamos a paz com nossas palavras, olhares e gestos.

13 junho, 2008

Trilhas e versos


Pesquisando encontrei no blog “Trilhas e Versos” a seguinte postagem que me surpreendeu por motivos óbvios. Aproveito e coloco aqui os desenhos feitos na vivência da Araucária, árvore Pai.


Sobre meu pai , Neruda e as araucárias...

Meu pai era gaúcho, da cidade de Guaporé, mas foi criado em uma colônia agrícola do interior de Santa Catarina. Fez seus estudos em Curitiba e, ainda que se considerasse paulista de coração... Nunca esqueceu suas raízes nem seus hábitos de homem do interior. Meu pai foi um economista de mãos fortes e calejadas, um empresário que soube cair e levantar todas às vezes, e sua imagem para mim se confunde com as das grandes e soberbas árvores que ele tanto admirou.

Hoje de tarde, folheando o livro Canto Geral, de Pablo Neruda - comprei baratíssimo, quase novo, num sebo aqui perto, encontrei um lindo poema sobre a ARAUCÁRIA, a árvore preferida de meu fofo pai.

Todo o inverno, toda a batalha,
todos os ninhos do molhado ferro,
em tua firmeza atravessada de aragem,
em tua cidade silvestre se levantam.

O cárcere renegado das pedras,
os fios submersos do espinho
fazem de tua aramada cabeleira
um pavilhão de sombras minerais.

Pranto eriçado, eternidade da água,
monte de escamas, raio de ferraduras,
tua atormentada casa se constrói
com pétalas de pura geologia.

O alto inverno beija a tua armadura
e te cobre de lábios destruídos
a primavera de violento aroma
rompe a tua sede em tua implacável estátua:
e o grave outono espera inutilmente
derramar ouro em tua estatura verde.


Não preciso dizer mais nada.





A gestação vai bem, obrigado.

Começamos a ensaiar, parece um alívio para todo criador agregar a prática mental a prática corporal. Aquecer o corpo, criar as personagens, transformar em cena o que tanto pensamos, discutimos, intuimos... um alívio. Será? Assusta, mas nem tanto. É nessa hora que vemos o quanto valeu toda o trabalho de mesa, o quanto estamos abastecidos para criar. Nossa equipe, na segunda semana de ensaios, já enxerga com mais tranquilidade o futuro espetáculo. O trabalho caminha para uma das etapas mais empolgantes: a concretização das idéias, a "materialização dos devaneios", como diria a amiga antropóloga Selma Baptista. Os criadores estão a todo suor, dedicados para ver nosso Paizinhos ganahando a vida. Mais alguns meses de gestação e mais um filho virá à luz do palco.

Toda família gosta de ver as imagens de um bebê na barriga da mãe, principalmente os pais, então no melhor estilo "ecográfico" as primeiras imagens:



03 junho, 2008

LIXO, CRIATIVIDADE E EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Resenha baseada no texto “Lixo, criatividade e educação ambiental” de Amália Trivellato, do livro “O teatro dito infantil”.

Falar sobre o lixo e as ações cotidianas sobre ele, sem dúvida já estão marteladas na cabeça de todos nós. Já estamos programados para separar o lixo e sem esquecer de antes de colocar na sacolinha dar uma “lavadinha” no lixo reciclável. (Parabéns para nós). Assim como nós curitibanos, também estamos quase todos programados a encher nossas vidas de arte. Todo Festival de Teatro de Curitiba assistimos um espetáculo com o mocinho da novela das 8 (Parabéns novamente).

E nós artistas estamos programados para que? Pra ensinar pré-escolares a colocar plástico no lixo vermelho e limparem o bumbum? Ou simplesmente remontarmos grandes clássicos depois de assistir o DVD da historinha?

Nossas crianças já são abarrotadas de informação de plástico no vermelho e de como limpar o bumbum. E esta informação vem de onde? Muitas vezes da própria TV. Nossa tão desgraçada e tão necessária TV: “Educação. Você vê por aqui”, plim, plim “Plástico no vermelho. Você você vê por aqui”. Mas é claro, sem nunca esquecer : “Pai, não esqueça da minha Caloy”, “Compre batom”, “E não esqueça também do meu PlayStation 7”. E acho que isso também vale para a arte para crianças, (ou a arte é única e para todas as idades?). Acho que o bom e velho exemplo vale mais que um milhão de ensinamentos.

O quanto nós artistas queremos viver num lugar, onde muitas vezes o valor atribuído a um indivíduo refere-se ao seu poder de compra? Ou o quanto queremos viver numa sociedade onde reutilizar é entender a vida de uma nova forma? Pois o lixo, de alguma maneira, nos traz a lembrança da morte, que para nossa sociedade é assunto pouco elaborado e até negado.

Recriar a vida, reviver a arte, renascer na morte. O quanto no lixo de casa “tem um miserável” esperando nossa piedade? O quanto do lixo do mundo nós damos por morto e o “coitadinho” nem teve a chance de nascer? E até, o quanto de nós mesmos simplesmente jogamos fora, quando ele só precisa morrer dentro da gente pela noite, pra de manhã já ter aprendido a renascer.

30 maio, 2008

O ARTÍSTICO E O PEDAGÓGICO ONTEM E HOJE NO TEATRO PARA INFÂNCIA E JUVENTUDE

Resenha de artigo de mesmo nome de José Ronaldo Faleiro do livro “O Teatro dito infantil”, publicação do FENATIB. Nele o autor baseia-se em um artigo francês intitulado “Relação pedagógica ou de igualdade?” de Gerard LEFÉVRE de 1974, e procura fazer uma relação com a atualidade. Descrevo e comento aqui o que considero de interesse aos nossos trabalhos.

Aponto em primeiro plano o que o autor descreve como os motivos pelos quais os grupos se dirigem ao teatro pedagógico. Um deles é que este gênero está relacionado diretamente com o ensino e com a escola, menos pela vontade dos criadores e mais pela necessidade econômica e pelo retorno financeiro deste tipo de público. Outra hipótese levantada por Faleiro, é o desejo do adulto de querer transmitir um saber à criança, aproximando-se mais da relação professor/aluno, detentores de um conhecimento, do que da relação criador/espectador, prontos a trocar conhecimento. Geralmente, como comentamos na discussão em mesa, vemos produções em larga escala que percorrem os espaços escolares cobrando valores ínfimos e oferecendo qualidade idem, assim como os assuntos abordados nestas peças dizem mais respeito ao que se supõe importante para “educar” as crianças e ao que se “vende” mais, do que pelo interesse ou pela crença do criador na importância do tema.

Concordo com o autor quando chama a atenção para que as produções para crianças tenham mais cuidados técnicos e artísticos do que o dispensado às produções para adultos, e que estas superem o teatro moralizador e infantilizante. Destaco a afirmação dele de que nenhum tema precisa ser excluído das peças para a infância e juventude. Há que se esmerar nas maneiras de falar a este público, de se aproximar dele, uma vez que estes têm pouca ou nenhuma autonomia quanto aos espetáculos que vão assistir, visto que quase sempre são os pais ou os professores quem escolhem o espetáculo que vai “educar” ou “passar uma mensagem” à criança.

No entanto, o problema apontado é que nem sempre os objetivos pedagógicos vislumbrados pelos criadores são recebidos ou percebidos pelas crianças como eles gostariam. Para esta questão lança uma pergunta: A criança pode dominar o fenômeno de distanciamento no espetáculo? Não irá ela sempre buscar a identificação com a personagem? Partindo disso, Faleiro conclui que o fundamental para o teatro artístico pedagógico será sempre a seriedade de propósitos e a qualidade de resultados em seus objetivos. A mídia, o cinema, a televisão, os videogames já estão cheios de embrutecimento e desenvolver uma acuidade sensorial é necessidade de todos nós, criadores de teatro para crianças.

Superar preconceitos e explicitar paixões

Resenha do artigo de Valmor Beltrame ( Ními), do livro Teatro Dito Infantil.

O teatro para crianças até hoje é visto com preconceito, até a própria classe artística, com algumas excessões, diz que esta linha de trabalho é para atores despreparados ou com pouco talento, pois é para um público menos exigente.
É muito comum acharem que crianças são mini adultos, que devemos ensinar para a principal fase da vida, a adulta, esquecendo que cada etapa da vida humana tem seu aprendizado.
Com esta idéia de educar as crianças, muitas peças teatrais destinadas a elas tem um cunho pedagógico, falando de moral e ética. Mas é também pedagógico estimular a reflexão, a dúvida.
Para se realizar qualquer gênero teatral, deve-se primeiro livrar-se dos preconceitos, pois como diz Dario Fo: "Com o preconceito impede a possibilidade de aprender o oficio de realiza-lo com dignidade, impossibilitando de conviver com as diferenças"
Qualquer linha teatral, adulta ou infantil, deve-se suscitar duvidas, desmontar certezas, questionar visões tidas como verdade acabadas. Ludicidade e poesia são elementos indispensáveis para qualquer obra teatral.
Abandonar o compromisso de encenar para idades determinadas, trazer ao palco temáticas sem a preocupação de que o público tenha o mesmo e único entendimento.
Para finalizar quero deixar uma fala do educador italiano Gianni Rodari : é preciso antes de tudo respeitar a criança como tal e não se aproveitar da nossa superioridade de adulto para impor nossas idéias e convicções. Eu entendo por paixão a capacidade de resistência; a intransigência em negar a hipocrisia sob qualquer forma em que se apresente; a vontade de agir e ser o que se é; a coragem de sonhar alto; a consciência do dever que temos, enquanto homens, de mudar o mundo para melhor, sem nos contentar com as medíocres mudanças aparentes; a coragem de dizer não sobretudo quando seria mais cômodo dizer sim; a coragem de não fazer como os outros, mesmo que seja preciso pagar por isso; a arte para crianças deve, sobretudo, demonstrar nossas paixões".

24 maio, 2008

SOBRE O ENCONTRO DE 22 DE MAIO

Comentamos sobre os desejos e rejeições sobre a expectativa deste novo espetáculo. Analisamos as propostas a respeito de conteúdos, abordagens e algumas sugestões estéticas e de imagens. Ficou claro que concordamos sobre o que falar e como falar, mas faltou-nos refletir para quem iremos falar...para que criança estaremos falando?

Como já havia comentado com Simão, acredito que precisamos aprofundar a discussão sob o ponto de vista da arte-educação. O que acreditamos ser um bom teatro para crianças? Quais deverão ser as nossas preocupações?

Sugeri a leitura da compilação O TEATRO DITO INFANTIL, do FENATIB. Ficou acertado que cada pesquisador, livremente, escolherá um tópico desta compilaçlão e elaborará uma resenha.

Ainda aguardamos as propostas de estórias sobre os Paizinhos.

O que ficou em cada um de vocês sobre este encontro?

19 maio, 2008

Sobre a reunião do dia 15/05/08

Iniciamos este encontro propondo um feed back do nosso estudo até então. Sobre o Biocentrismo foi levantado a importância dos encontros, da vida gerada a partir do encontro entre pai e mãe. Destaco um trecho do mesmo texto trazido ao nosso conhecimento pelo Hélio - REFLEXÕES SOBRE A CULTURA BIOCÊNTRICA - Cezar Wagner de Lima Góis que pode nos ajudar a ampliar nosso pensamento e diz o seguinte:
“O poder da vida e o poder de viver do homo sapiens são obras fascinantes de uma realidade poderosa, incomensurável, sagrada, bela e profundamente sutil, presente mais precioso dos pais aos filhos e filhas, o misterioso processo da divisão e integração celulares que, em pouco tempo, multiplicando e enlaçando as células por dentro de algo maior (um embrião, um feto, um recém-nascido, um ser humano) amarra o mundo interno ao mundo externo, até por fim gerar a consciência, a cultura e a infinita possibilidade de realização humana. A consciência é uma fantástica dobradura biológica, é a vida passando a se ver, a vida se pensando, o sentir que sente, o comer que come, o tocar que toca, o andar que anda, o olhar que olhar, o falar que fala”.

Outra questão abordada foi sobre a força propulsora da vida. Segue mais um trecho do referido texto:

“O sentir-se vivo é o alicerce, é o que vincula, nutre, fortalece e revela o homo sapiens moderno. É a expressão natural, espontânea e cultural da vida como singularidade, como auto-poiesis particular da auto-poiesis cósmica. Do sentir-se vivo é que surge a percepção do si-mesmo, de um sentimento de vida, o qual vem da Biologia em direção a Psicologia, da transformação do animal em espírito enraizado, ou corporeidade vivida”.

Falamos também do pai que está dentro de cada um de nós, aquele que idealizamos e construímos em nosso íntimo, nossa imaginação.

Já do Paranismo falamos da colonização através do encontro das várias etnias. Da necessidade de valoração da cultura paranaense e por isto o movimento paranista. Dos caminhos abertos pelos tropeiros e sua inspiração nos caminhos pelas praças de Curitiba e suas representações étnicas. A Figura do semeador – o encontro do céu e da terra, o encontro do homem com a terra, o encontro de vários homens nessa terra.

Alguém se arrisca a complementar?!

Terminamos nosso encontro com a tarefa de registrar no blog as 10 coisas que queremos em nosso paizinhos e as 10 coisas que não queremos. Outra tarefa foi a escritura do nosso estórias brincantes de muitos paizinhos.

09 maio, 2008

Sobre 8 de maio

Neste dia falamos um pouco sobre a importância em se fazer perguntas para a construção do saber. Falamos também que responder nem sempre é necessário. Fazer mais perguntas sim. E, se respondemos talvez a poesia, visual ou verbal, seja a melhor resposta. E algumas coisas não se explicam. Só se sentem. A discussão foi deflagrada após a proposição dos livros O QUE É O SABER? (Filosofia para crianças) e MANIA DE EXPLICAÇÃO, de Adriana Falcão. Lindo! Obrigada, Inês! Inevitavelmente falamos sobre educação, sobre o nosso papel de artistas, arte-educadores. Falamos também sobre arte e ciência, trazendo mais um texto sobre Moluscos e Conchas de Rubem Alves. Alguém tem algo a acrescentar?
Ah, sim! Perguntamos o que ficou até agora em cada um sobre a nossa proposta temática. Alguém se arrisca a deixar aqui algum registro? O que é o pai? Nosso pequeno grande paizinho habitado por nós?

02 maio, 2008

1º de maio – um bom dia para trabalhar

Que bom trabalhar quando se tem prazer! Ir desenrolando nosso fio e manter nosso equilíbrio...

Abrimos nossa reunião com a bela história de Fernanda Lopes “O Equilibrista”.

Talvez para justificar nosso encontro em um dia instituído como feriado.

Podemos, também, relacionar este fio com a corda. Com os diferentes pontos de vista entre equilibristas e desequilibristas...

Sugerimos, também, incluir algumas discussões acerca da arte-educação.

Assim, colocamos na roda um texto da Fanny Abramivich 10 Coisas Que Precisamos Saber Sobre a Criança e outro texto do Rubem Alves sobre moluscos e conchas.

Com estes estímulos, a discussão caminhou sobre pontos de vista a respeito da educação e inevitavelmente sobre o papel de pai.

Val e Hélio conduziram um exercício prático em continuidade à produção poética sobre as etnias. Dançaram-se os poemas, desenhou-se e pintou-se. Observou-se e dançou-se ritualisticamente em roda. As sugestões musicais para estas danças foram: Mundo, de Karnak e Grão, de Gilberto Gil.

Neste encontro, concêntrico, senti um início prático do que poderia ser a Biodança e o biocentrismo que iniciaram as discussões de nossos encontros. Tudo foi fotografado e filmado.





30 abril, 2008

NINHO

Este é um trecho do texto O Pai de Rubem Alves, ele compara o colo do pai com um ninho o "Braço-ninho".

"Eu queria ser um ninho para meus filhos pequenos. Queria que meu corpo fosse um ninho-penugem que os protegesse, um ninho que balança mansamente no galho de uma árvore ao ritmo de uma cançao de ninar".

A figura ao lado é de Van Gogh, Rubem Alves comenta sobre a tela, em que o pai oferece seus braços ao filho, agachado igualando seus olhares... O Helio já havia falado dos pais semeador e jardineiro, um é a complementação do outro. Penso num Pai inteiro, tendo as duas funções, não só a biológica. Como diz Rubem Alves, "É fácil demais ser pai biológico. Pai biológico não precisa ter alma. Um pai biológico se faz num momento. Mas há um pai que é um ser da eternidade: aquele cujo coração caminha por caminhos fora do seu corpo. Pulsa, secretamente, no corpo do seu filho (muito embora o filho não saiba disto)".
Eu vejo meu pai assim, ele está tão dentro de mim que as vezes esqueço e só me lembro quando estou de coração aberto, sensível. O corpo tem tantos mistérios, mistérios que se constroem durante nossa caminhada, nos caminhos abertos pelos paizinhos.
São tantos assuntos entrelaçados...

22 abril, 2008

SOBRE A REUNIÃO DAS ETNIAS

Nesta reunião, a atividade proposta foi conduzida por Val. Foram sorteadas algumas etnias colonizadoras do Paraná. Cada pesquisador ficou responsável por trazer informações a respeito da etnia sorteada. O método de exposição pareceu-nos similar a algumas conduções que acontecem na Oficina Espaço, Corpo e Som, da Campelli. Cada participante teve um tempo limitado de 1 a três minutos para relatar o pesquisado. Após, o Val releu um texto do Afonso Romano que falava do olhar que conduz à poesia. Instigados por este texto, foi-nos pedido produzir um texto poético sobre esta colonização.

Neste tópico ficarão registradas tais produções, como um espaço aberto para discussões e reflexões.


Caminho por uma rua
Que passa em vários países,
Se não me vêem, eu vejo
E saúdo velhos amigos.

(Carlos Drummond de Andrade)


Este poema abriu o encontro desse dia, onde falamos das etnias e construímos poemas. São eles:


“Paraná França”

Quis a França parar na
Terra Franca
Francamente
Para nós
Todos o Paraná
Em tantos caminhos
Trilhados no ir e vir
Na andanças,
Aqui, no Paraná,
Quis viver livre,
Um pouquinho da França.

(Letícia Guimarães)



“Cruzeiro do Sol”

Vim lá da terra do Sol
Nascente entusiasmo
Na terra do Cruzeiro.

(Helio de Aquino)






Vamos para o oeste


Fazer Oktoberfest
Ficar em Curitiba
Ficar na casa da Frida.
No bosque do Alemão,
Comer salsichão.
Se ficar com saudade,
Voltar de Wolksvagen.

(Gabriel Hubner)






“Moinho, Caminho, Painho”


Amigo eu vim de lá
Longe, lá da Holanda
Minha colônia é o Paraná
Na cidade de Castrolanda.

O famoso leite quente
E a farinha dos moinhos
Foi pra Castro com a gente
Inspirando os paizinhos.

Moinho, tulipa
Tamancos de madeira
Até hoje são lembrados
Nas festas fandangueiras.

(Simão Cunha)





“Meu chão é minha terra”

Meu chão é minha terra
Dentro e fora
Em cima e em baixo
Rixa.
Dividir a casa com brancos
Ufanar minha casa como sua
Minha casa não mais minha,
Nossa.
Meu chão, sua casa.
Meu trabalho, sua casa.
Meu suor, sua casa.
Rixa.
Minha língua, minha casa.
Minha música, minha casa.
Cuidado, eu sou tupi.

(Val Salles)



Hoje estou Paraná

De carroça eu vim
Imaginando os pinheiros
plantar o Paraná

Hoje sou Paraná
Em minha carroça
Levo as sementes, os frutos
Alimento Paraná

Hoje sou Paraná
Solo fecundado
Alimento alimentado
Em minha carroça vivo Paraná.

(Fabiana Ferreira)

SOBRE A REUNIÃO DE 21 DE ABRIL

Iniciamos nossa reflexão neste dia ainda sobre o tema “biocentrismo”, utilizando um pouco da idéia de Leonardo Boff, no livro “Casamento entre o Céu e a Terra”, onde fala sobre a cultura dos povos indígenas. Sobre o respeito e a liberdade desta sociedade.

Guga, querido artista e arte-educador, passou a integrar a equipe de pesquisa. Trouxe, além de livros e DVDs que abordam a relação pais e filhos, importantes questionamentos acerca destas relações na contemporaneidade.

Para esta reunião, foram pedidas, através do Hélio, algumas tarefas:

1 - Seguindo o exemplo do tópico Meu pai quando eu tinha... (do blog), escrever um texto brincando com a mesma idéia.

2 - Na mesma brincadeira de escrever, parodiar a idéia da Silvia Ortoff "pirando" com Se as coisas fossem pais.

Acima de tudo vamos nos divertir!

As tarefas foram lidas e comentadas e encontram neste tópico espaço para seu registro.

Andressa:


Se as coisas fossem pai...
Se o carro fosse pai
Seria pai dos pneuzinhos
e o step seria o seu bebêzinho...

Se o livro fosse pai
seria pai das letras
e para os seus desenhos, jamais faria caretas...

Se o computador fosse pai
seria o pai das peças
e tudo seria feito as preças...

Se o guarda roupas fosse pai
Seria o pai das roupas
Guardaria tudo com carinho
E ainda daria o seu cheirinho...

Se o pão fosse pai
Seria o pai do fermento
Uniria todos os filhos, pra ver o seu crescimento...

Se o feijão fosse pai
Seria pai das sementes
Germinaria tudo com entusiasmo
Faria caldos sorridentes...

Se o sofá fosse pai
Seria o pai das poltronas
Faria muitas cósquinhas
A quem ali derrubasse rosquinhas...

Se o apontador fosse pai
Seria o pai do lápis
Apontaria o que fazer
Dando as pontas para viver...

Se o Universo fosse pai
Seria o pai da Terra
Te daria vida própria
Ajudaria a andar na sua esfera...

Meu pai quando eu tinha

Meu pai pra mim...Quando eu estava na barriga da minha mãe: Como será que ele é?Aos 2 anos: Como papai é grande! Será que um dia vou crescer assim?

Aos 7 anos: Meu pai é meu herói!

Aos 15anos: Saco! Acho que ele nunca teve a minha idade, imagine não me deixou sair justo hoje!

Aos 18 anos: Meu pai bem que podia me apoiar mais...

Aos 21 anos: Hoje foi minha formatura, nunca vi meu pai tão feliz!

Aos 28 anos: Ai que saudade do meu pai, não consigo vê-lo, é tanta correria, o trabalho, o dia a dia...

Aos 35 anos: Ele é o melhor avô do mundo, queria eu voltar a ser criança pra ele brincar comigo...

Aos 42 anos: E agora pai, o que é que eu faço? Obrigada pai, o senhor é o máximo!

Aos 59 anos: Como seria com ele aqui...

Aos 70 anos: Nasceu seu bisneto, o senhor iria gostar de conhece-los...

Aos 80 anos: Parece que voltei a ser criança. Preciso de cuidados e sou dependente de todos. Queria que papai estivesse aqui cuidando de mim...


Val:


Meu pai quando eu tinha...

Meu pai quando eu tinha cinco anos era uma televisão passando jornal nacional.

Meu pai quando eu tinha sete anos era um velho.

Meu pai quando eu tinha dez anos era uma janta fora do horário.

Meu pai quando eu tinha doze anos era meu conselheiro nos projetos de vida.

Meu pai quando eu tinha quinze anos era meu financiador de projetos de vida.

Meu pai quando eu tinha dezoito anos era meu agente financeiro.

Meu pai quando eu tinha vinte anos era uma máquina de fazer perguntas.

Meu pai quando eu tinha vinte e dois anos era um contador de histórias.

Meu pai hoje é meu pai, minha mãe e sem pretensão, meu filho.



Se as coisas fossem pais...

Se o sapato fosse pai,
Seria pai do chulé,
Teria filhos aos pares,
Um com cada pé.

Se o tempo fosse pai,
Seria pai dos relógios,
Nunca se atrasaria.
Pra brincar com todos os filhotes,
Hora extra, faria.

Se o cacto fosse pai,
Seria pai dos espinhos,
Ensinaria-lhes que na vida
A dor faz parte dos caminhos.

Se o fogão fosse pai,
Seria pai da leiteira,
Do bule e da chaleira.
Aqueceria com suas chamas,
O amor de uma família inteira.

Se o guarda-chuva fosse pai,
Seria pai dos pingos,
Seus filhos seriam tantos,
Que uma conversa rápida bastaria,
PLIC ou PLOC
E pelo pai guarda-chuva
O filho pingo escorregaria.

Se o cabideiro fosse pai,
Seria pai dos chapéus,
Bonés, cachecóis e bolsas,
Não ligaria pra bagunça,
Acolheria sempre mais um filho,
Alegre com a casa cheia.

Se o martelo fosse pai,
Seria pai dos pregos.
“Disciplina e resistência”
Seriam seus ensinamentos.
Um caminho sempre reto,
Lições breves sobre a vida,
Nem sempre sob o mesmo teto.



Fabiana:

“O meu pai quando eu tinha”....

Quando eu tinha 2 anos o meu pai era o maior de todos.
Quando eu tinha 4 anos era meu super poderoso pai.
Quando eu tinha seis anos o meu pai era um adulto livre e divertido.
Quando eu tinha oito anos era saudade e tristeza o meu pai.
Quando eu tinha 10 anos o meu pai era um malvado.
Quando eu tinha 12 anos era um egoísta o meu pai.
Quando eu tinha 15 anos era um nada o meu pai.
Quando eu tinha 18 anos era uma nuvem passageira o meu pai.
Quando eu tinha 21 anos o meu pai era um felizardo com minha ida a Curitiba de mala e cuia.
Quando eu tinha 26 eu não tinha pai
Quando eu tinha 28 anos o meu pai era um bebê, novinho em folha
Quando eu tinha 30 anos meu pai era curioso.
Quando eu tinha 35 anos meu pai era perdão.
Hoje aos 40 anos meu pai é um cachorrinho com o rabo entre as pernas, mansinho e carente.

HELIO:

Meu pai quando eu tinha...

De 2 a 4 anos era quem chegava em casa no fim do dia trazendo muitas novidades. Adorava ouvir suas histórias.

5 anos era o amigo dos fins de semana, pra brincar, passear e ir vê-lo jogar bola no campinho com seus amigos. Meu super pai.

6 anos era quem em quem eu confiava para cuidar da minha mãe enquanto eu ia para a escola de manhã, e a tarde eu assumia este papel para que ele pudesse trabalhar, confiávamos um no outro. Muito bom lembrar disso.

De 7 a 9 anos era quem eu via somente a noite cansado assistindo televisão na sala, ou as vezes nem o via chegar e acordava com ele e minha mãe brigando por motivos que eu não sei bem quais eram. Tinha medo.

10 anos era quem passava o dia e a noite trabalhando em seu restaurante, junto com minha mãe. Eu passava mais tempo na rua brincando com amigos e muitas vezes dormindo na casa da minha avó. Era legal.

13 anos era o viajante que levava minha mãe e meu irmão para outra cidade. Eu era visitante e adorava ser independente de pai e mãe, mas morria de saudades.

15 anos era quem eu menos via de minha família, pois ele trabalhava o dia inteiro fora, e eu estudava a noite.

De 16 a 17 anos era quem eu mais via de minha família, era meu patrão. Era com que eu brigava muito, no trabalho e em casa.

De 18 a 23 anos passou a ser o pai desconfiado da vida do filho independente que falava pouco e escondia uma vida misteriosa. Era meu detetive. Era divertido.

24 anos era em que eu confiava para cuidar de minha mãe quando eu não podia, e vice e versa.

25 anos era em quem eu confiava pra cuidar de meus irmãos quando eu não podia, e vice e versa

Hoje tenho 27 anos e quase não falo mais com meu pai. Não por nada, temos vidas diferentes. Compreendemos nossas razões. Quando posso digo que o amo muito e ele sabe disso, e vice e versa.


SE AS COISAS FOSSEM PAIS

Se o martelo fosse pai seria pai dos preguinhos. Um pai brigão, mas nunca lhe faltaria carinho.

Se o vento fosse pai seria pai do balão. Muito brincalhão levaria seus filhos para passear em noites de São João.

Se o trovão fosse pai seria pai resmungão. Mas depois de brigar se mostraria pai bem chorão.

Se o rio fosse pai, muitos banhos ele daria. Banhos de rio, como de banheira ou bacia.

Se a Carroça fosse pai seria pai carga pesada. De casa para a escola carregaria toda a moçada.

Se o fogão fosse pai, seus filhos não teriam fome e nem frio.

SIMÃO:

Quando eu tinha 1 ano meu Pai era meu colo. Ele tinha 39.

Aos meus 3 anos chamei aquele homem de bigode de PAINHO.

Dois anos depois ele era meu MEDO, me assustava tirando seu bigode, e eu tirava seu sapato.

Seis anos eu tinha quando eu fingia que Painho não eram mais meu Pai. Negava-o.

Com 8 anos aprendi que aquele homem era frágil e sensível, me presenteava sempre.

O baixinho me mostrou sua força e seu poder quando eu tinha 12 anos. Comecei a vê-lo com respeito.

Com 13 anos conheci meu Pai companheiro de brincadeiras, me ensinou a atirar com espingarda. Era um homem sorridente.

Aos meus 15 anos me ensinou a ter responsabilidade. Resmungava e com razão.

Com 17 anos ganhei asas de Painho, ele me disse: vai filho, segue teu caminho.

Hoje 20 anos se passaram, me vejo nele, tenho seus vícios e sua fragilidade.

Ai ai, tenho tanta saudade!

Se as coisas fossem pais

Se Pai o prato fosse e os talheres seus filhos

comeriam toda a comida

cresceriam fortes e crescidos

o Garfo não seria magro e a Faca afiada seria.

Se o Pinheiro fosse Pai seus filhos seriam pinhões

aqueles que aquecem no frio os corações.

Se o sapato fosse Pai

a meia seria sua filha

ele aconchegaria ela

a meia inteira ficaria aquecida.

Se o lápis fosse Pai

e os rabiscos seus filhos

desenhavam com cuidado

traçando seus caminhos.

Se o trem fosse Pai

ensinava a seus filhosandar, cantarolar

sempre conforme os trilhos.

Se o guarda-chuva fosse Pai

e a sombrinha filha

a Chuva e o Sol viveriam juntos

e a semente cresceria.

Se o Sol fosse Pai

seria Pai das horas

todos dormiriam cedo

vivendo mais o aqui e agora.

Se o lençol fosse Pai

e o travesseiro seu filho

pesadelos não existiriam mais

e o seu sono mais tranquilo

e o seu sonho agora vai

mostrar a luz e a paz.

Se o Amor fosse Pai

o filho seria o carinho

o mundo viveria em Paz

e cuidaria mais e mais

do nosso Grande ninho.

Simão Cunha

17 abril, 2008

Pai

Não dá para pensar na relação pai e filho sem ter um nó na garganta.
Pai é aquele que junto com a mãe se encontram e desse encontro nos geram.
Pai é aquele do qual eu carrego toda uma carga genética, histórica e moral.
Do qual eu me vejo em seu reflexo
No qual eu me percebo no que eu sou.
Eu não seria quem sou hoje sem a presença do meu pai, sem seu carinho e sua atenção...
Eu sinto tanta falta do meu papai...
Tão perto e tão longe...
Não moramos mais na mesma casa...
A distancia do dia a dia nos afasta...
Mas basta uma sensação e pronto! Já estamos nos falando e nos mimando!
É tão bom ter pai!
As vezes eu queria voltar a ser criança pra poder sentar em seu colinho pra ele me ninar!

Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...

Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...

Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...

Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...

Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...

Pai!
Me perdoa essa insegurança
Que eu não sou mais
Aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...

Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Ah! Ah! Ah!...

Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais
Muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai! Paz!...

Fábio Jr.

10 abril, 2008

SEMEADOR

É o arquiteto, o poeta, o criador, o mestre.

O senhor da serra. O procurador da sombra.

O corredor da margem. O ouvidor da água.

O entalhador do silêncio. O bailador da memória.

O garimpeiro do lore. O semeador.

09 abril, 2008

REFLEXÕES SOBRE A CULTURA BIOCÊNTRICA

Este é o título de um artigo de Cezar Wagner de Lima Góis, doutor em Psicologia pela Universidade de Barcelona Prof. de Psicologia da Universidade Federal do Ceará, disponível na página do site Pensamento Biocêntrico. Aqui o destaco para nossa reflexão porque considero importante falar mais sobre estes fundamentos, pois não há como pensar o Semeador e a semente sem discutir o que somos por Natureza: humanos frutos do meio (ambiente-social-cultural). Seguem trechos do texto, mas aconselho que seja feita uma leitura na íntegra através do link acima, contudo pretendo levar este texto para os estudos de nosso Paizinhos.

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Diante do quadro atual da ciência, da mística e dos problemas humanos e sociais, dentro do enfoque da complexidade, do cotidiano e do amor, como podemos falar da Cultura? Como ficamos nós diante do nosso dia-a-dia consigo mesmo, com os outros e com a Natureza?(...)É claro que a cultura atual leva em consideração a vida em todas as suas manifestações, mas a grande questão é o lugar que o ser humano se encontra para estar com ele mesmo e com todas as outras manifestações da vida.

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(...) Afastar-se da cultura não é possível sob pena de desaparecer; tampouco seguir pela mesma trajetória garantiria a repotencialização da nossa energia vital que, de tão bloqueada e deformada, gera doenças de civilização. O que fazer, se o caminhar antropocêntrico assinala seu esgotamento e limitação frente às novas exigências humanas, sociais e naturais?
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Participar (da vida) é fazer do seu gesto um ato permanente de educar, que liberta da fusão as sementes que pulsam e anseiam naturalmente germinar. Somos sementes como as sementes, conectadas por uma rede de relações vitais, fios de natureza que nos conectam entre si e ao infinito, chamando-nos a dançar com autonomia e plenitude essa grande dança de comunicação e encontro. Nada pode deter esse chamado, a não ser a própria vida em sua força auto-organizadora e auto-transcendente.

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Cada ser vivo é uma semente que vibra e se expande conduzida por uma trajetória instável de bilhões de anos. Não há na cultura algo tão complexo, incerto, neguentrópico e belo. Somos sementes como a própria semente, buscamos vínculo, nutrição e crescimento. Ao jardineiro cabe somente cuidar com amor, protegendo e nutrindo, pois os seus caminhos farão por conta própria, seguindo seus fios de natureza em direção a algum lugar da vida.
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Aos poucos, (é a nossa esperança e a nossa luta), um novo (e antigo) sentimento do humano e da vida poderá prevalecer sobre a cultura do individualismo e do consumismo, se tornando mais presentes nos corações e nas mentes das novas gerações. Este cultivo de sentimentos e de sentidos já começou, embora saibamos da existência de graves obstáculos à sua semeadura e colheita, tais como o antropocentrismo, a ideologia masculina, o individualismo, o autoritarismo, a xenofobia, o fascismo, o fetiche do capital, a exclusão social e o desamor.
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Isso ainda é uma utopia, mas a integração entre as culturas é possível, desde que participemos amorosamente da tecitura de valores pró-vida por meio de uma educação biocêntrica. Este grande sonho já sonhado por muitos que já morreram e por muitos que estão lutando por ele, em todos os lugares do nosso querido Planeta Terra, nossa morada de hoje, um dia poderá ser realidade.

31 março, 2008

Pinheiro Genealógico...

Muito interessante o texto da educação biocêntrica. Legal a evidência da VIDA, lembrando quem foram os nossos semeadores.

Recordei-me de um material bacana que mencionei numa das nossas primeiras reuniões, a Arvore genealógica. E já me vem uma imagem junto com aquela Araucária, um símbolo paranaense... montar nosso pinheirinho com os nossos antecedentes. Que lindo! Os semeadores estão na araucária e são como pinhas que caem sem saber onde, indo pra onde o amigo vento levar.

Semeadores que cuidaram carinhosamente das suas sementes, provindas dos “milagres dos encontros”. E os encontros me faz lembrar da colonização e da mistura das raças que formaram o povo brasileiro, ou paranaense... os vários milagres que nos proporcionaram a vida. Uma idéia para o nosso trabalho: Curitiba, uma terra de encontros e desencontros, os Painheiros semeando Vidas. HO HO HO...

Quantas metáforas! Onde vamos parar? Estou bem curioso pra saber aonde o vento vai levar o Paizinhos.

Vou me inspirar pra escrever mais sobre isso...

Simão Cunha

Pais e filhos: manifestação do sagrado

Indico o texto a seguir que resume o pensamento Biocêntrico e que acredito ser um bom começo para pensar o nosso Paizinhos, porque, nas palavras de Rolando Toro criador do sistema Biodanza, originariamente os pais constituem a matriz ecológica dos filhos.

Apontei aqui um trecho do texto completo que está disponível em:

www.prorext.ufrgs.br/nucleos/niete/texto-feliciano2.doc

Existe um material bem vasto disponível na rede para quem se interessar por esta pedagogia de afeto. Aqui procurei focar a pesquisa à relação pais e filhos.

Educação Biocêntrica: Por uma Educação centrada na Vida

Ao ser proposta uma Educação centrada na vida torna-se necessário esclarecer o que se pretende com cada termo utilizado.

O conceito de Educação pode ser examinado na visão de diferentes autores. O sentido que usamos resulta de uma interpretação das raízes etimológicas da palavra: ex = para fora; ducere = conduzir, tirar. Assim, entendemos que Educação é o processo de possibilitar e incentivar o ser humano a “sair para fora”, expressar todas as suas potencialidades, tirar de dentro tudo aquilo que o revela como “ser humano”.

Quanto à idéia de vida que pretendemos apresentar aqui, esclarecemos:

1º - Vida, no contexto que a tomamos, não significa apenas a experiência do cotidiano no sentido da “vida que a gente leva”. No entanto, ao dizermos que “não significa apenas”, queremos assegurar que significa também o “viver de cada dia”.

Este viver passa a ter um significado especial, mais saboroso e nobre, quando o vivemos impregnados de um sentido mais profundo de vida.

2º - Vida, no contexto que a tomamos, não se limita, também, apenas às propriedades biológicas dos chamados seres vivos. Não obstante, consideramos que este aspecto, o biológico, não está fora da concepção de vida que queremos apresentar.

Quando usamos o termo Vida, aqui com letra maiúscula, como centro de um processo educativo, queremos significar “vida como expressão existencial”.

Sem pretender entrar no campo filosófico, entendemos que existimos porque estamos vivos, somos porque nos damos conta da manifestação da vida em nós.

E a vida em nós é o que realmente podemos chamar de milagre.

Cada um de nós, em particular, é o resultado de milhares ou milhões de encontros entre pares humanos que se reconheceram e, muito provavelmente, se amaram. De cada encontro se originaram outros seres humanos que novamente se encontraram, se amaram e deram continuidade à procriação de outros pares, até chegarem aos nossos pais. Estes, a partir de células vivas saídas de seus corpos, possibilitaram a formação de nosso corpo vivo. Somos, portanto, biologicamente, a continuidade, sem interrupção, de fusões e multiplicações celulares, cuja origem se perde na origem da própria vida sobre a Terra.

Quanto aos encontros originários, podemos quase garantir que, se um deles, e apenas um, não tivesse ocorrido, certamente não estaríamos aqui agora. Somos, portanto, cada um de nós, o milagre dos encontros que se deram na forma que se deram.

Somos, também, e cada um de nós, formados por um corpo constituído de um aglomerado de células, cujo conteúdo vem passando, sem interrupção, de dois corpos para um outro, através das gerações. Assim, graças a esta teia de relações que nos precede, somos todos parentes, somos todos irmãos.

Assumindo que a Vida em nós é o milagre dos encontros que nos precederam, nos sentimos na obrigação de reverenciá-la como a manifestação do Sagrado.

A Vida é, portanto, uma Hierofania.

A Educação Biocêntrica visa a conexão com a Vida.

Propondo uma inversão paradigmática, a Educação Biocêntrica objetiva a expressão da Identidade e a construção da Autonomia através de um processo de dentro para fora.

Reconhecer o outro implica muito mais do que uma atitude ética: significa desenvolver pelo outro uma relação emocional que se exprime na afetividade, no amor incondicional aos semelhantes, na relação fraterna, solidária e altruísta.

A Autonomia se constrói a partir das potencialidades do ser humano, daquilo que cada um é como indivíduo, daquilo que recebeu como herança genética.

A prática da Educação Biocêntrica, portanto, exige uma mudança existencial de paradigmas e uma nova maneira de ver o mundo. Devemos abandonar o antigo paradigma antropocêntrico e assumir como fundamento de vida um Princípio Biocêntrico, que considera a Vida como valor supremo e como manifestação hierofânica do Sagrado.

29 fevereiro, 2008

Meu pai quando eu tinha...

04 anos: Meu pai pode fazer tudo.
05 anos: Meu pai sabe muitas coisas.
06 anos: Meu pais é mais esperto que seu pai.
08 anos: Meu pai não sabe exatamente tudo.
10 anos: No tempo antigo, quando meu pai foi criado, as coisas eram muito diferentes.
12 anos: É claro que papai não sabe nada disso. É muito velho pra lembrar de sua infância.
14 anos: Não ligue pro que meu pai diz. Ele é tão antiquado.
21 anos: Ele? Meu Deus, ele está muito desatualizado.
25 anos: Meu pai entende disso. Pudera, olha a idade dele.
30 anos: Talvez devêssemos pedir a opinião de papai. Afinal, ele é muito experiente.
35 anos: Não faço coisa alguma sem falar com meu pai.
40 anos: Eu me pergunto como papai teria lidado com isso. Ele tem tanto bom senso.
50 anos: Eu queria tanto que papai estivesse aqui agora. Por que não aprendi com ele?

(Ann Landers)