28 novembro, 2008

sobre o processo

Para mim esse processo começou quando terminou o ESTÓRIAS BRINCANTES DE MUITAS MAINHAS, durantes as primeiras conversas com a Latícia sobre a versão de estórias brincantes com o tema pais, aos poucos vieram mais informações, até chegarmos ao tripé: PAI, PAÍS e PAZ.
O grupo de estudos trouxe muitas referências e caminhos. De acordo com a história pessoal de cada um de nós e também da maneira como imaginavamos e gostariamos que fosse essa estória. Os livros trazidos pelo Guga e sugeridos no grupo, alimentaram de forma poética a nossa pesquisa, nos inspirando a também produzir poemas e textos (os primeiros deste blog). Essa pluralidade de fontes de investigação é uma das características mais fortes do grupo de estudos e que se mantém durante o processo de criação. Outra função importantíssima é a de lançar perguntas. É esclarecedor, muitas vezes instigante, nos faz refletir sobre nossa arte. As perguntas geralmente não vêm seguidas de respostas e sim, de mais perguntas e continuam no trabalho de criação, porém com um pouco mais de foco, eu disse um pouco mais. Quando se trabalha com criação coletiva, trabalha-se também com a surpresa, pois as proposições podem vir de todos os lados ou de nenhum.
Minha participação nesse processo foi um pouco diferente das outras até então vividas na Cia. do Abração, mas não menos dolorida. Não trabalhei como ator, mas como co-diretor com um olhar voltado para a estética do espetáculo, propondo, discutindo ou realizando idéias afim de costurar uma dramaturgia visual. Foi muito valiosa a experiência em vários aspectos, na compreenção, discução e definição da dramaturgia teatral. Não que agora seja mais fácil fazê-la, mais familiar eu diria.
Destaco um momento do processo onde a Letícia nos orientou (Fabiana, Helio e eu), a dirigir uma cena com o elenco, separadamente, cada um de nós recebeu um tema e o realizou de acordo com suas potencialidades. Este não foi um trabalho fácil, porém destaco o dialogo com a direção, que sempre esteve disposta a discutir, pensar e pensar e pensar sempre nos caminhos que poderiamos seguir enquanto co-diretores.
O que fica mais claro pra mim e o que me deixa mais satisfeito, além da realização de uma obra singular é o nosso processo corpo-a-corpo, café-a-café, almoço-a-almoço, a nossa disponibilidade para se conectar a um tema, a uma idéia e levá-la para onde for, sem medo de ser feliz, de discutir, de colocar nossos medos pra fora, nossas vontades, nossas vergonhas, podendo até dizer o que não gostaria que estivesse no espetáculo, acredito muito nesse tipo de processo, nada está separado, nossa vida é nossa arte e nossa arte representa nossa vida, de tal maneira que nos faz refletir dia-a-dia, passo a passo do processo, sobre qual caminho queremos seguir, o que queremos dizer com tudo isso que fazemos, para quem queremos mostrar, e como fazer, como realizar ideias simples, com poucos recursos mas alimentados de muito amor pela arte que, do nosso jeitinho, vai dando certo. E acreditando sempre, confiando sempre, sendo como tintas na mão de um pintor que tem a sua frente uma tela em branco.

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